Cenário de crise nas margens da indústria frigorífica brasileira devido à valorização recorde do boi gordo. O spread entre a carne desossada e o boi gordo atingiu -7,5% em março, um valor significativamente abaixo da média histórica positiva de 6,5%, impulsionado pela corrida para exportar à China antes do preenchimento da cota de 2026.
Abaixo, os principais pontos detalhados:
1. Margens Negativas e Preços Recordes
A consultoria Athenagro aponta que a indústria está operando no prejuízo no mercado interno. Enquanto historicamente os frigoríficos mantêm uma margem (spread) positiva de
, o cenário atual inverteu para
. Isso ocorre porque o preço da matéria-prima (boi gordo) subiu 15% desde janeiro, atingindo:
- São Paulo:
por arroba (recorde).
- Mato Grosso: Próximo a
por arroba.
2. O Fator China e a Cota de Importação
O principal motor dessa alta é a necessidade dos frigoríficos de garantir embarques para a China dentro da cota de 1,1 milhão de toneladas para 2026. A diferença tributária é o que gera essa urgência:
- Dentro da cota: Tarifa de
.
- Fora da cota: Tarifa de
.
Essa disparidade de
pontos percentuais na taxação força as empresas a comprar gado a qualquer preço para exportar o máximo possível antes que o limite seja atingido.
3. Reação da Indústria
Para lidar com a matéria-prima cara e a margem negativa no mercado doméstico, grandes empresas iniciaram ajustes operacionais:
- Friboi (JBS): Férias coletivas em Água Boa e Pedra Preta (MT).
- MBRF: Paralisação de um turno em Várzea Grande (MT).
4. Projeções para o Segundo Semestre
A consultoria Agrifatto estima que a cota chinesa será esgotada até o final de junho. Isso deve gerar um "gargalo" nos embarques entre julho e outubro, pois, com a tarifa subindo para
https://www.theagribiz.com/empresas/frigorificos/disparada-do-boi-espreme-margens-dos-frigorificos-no-brasil/