Estudo revela que a informalidade consome 43% do mercado de transporte de cargas no país. Nesse cenário, a solução passa por rastrear cada real pago ao caminhoneiro
Quase todos os produtos que chegam aos supermercados, às farmácias, às lojas de construção, às fábricas e às mesas dos brasileiros passaram antes por um caminhão. O transporte rodoviário de cargas é o principal modal logístico do país, responsável por mais de 60% do escoamento da produção nacional, num mercado que movimenta R$ 818,6 bilhões por ano. O problema é que quase metade desse dinheiro circula à margem da lei. E o custo disso – para o Estado, para as empresas do setor e para os próprios caminhoneiros – é muito maior do que se imaginava. Um estudo inédito encomendado pela Ampef (Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete) e conduzido pela GO Associados revelou que a informalidade representa 43% do mercado de transporte rodoviário de cargas no país, gerando uma perda de arrecadação estimada em R$ 32,7 bilhões por ano, entre contribuições previdenciárias não recolhidas (R$ 11,5 bilhões), tributos estaduais (R$ 10,2 bilhões), federais (R$ 7,6 bilhões) e municipais (R$ 3,4 bilhões). Para ter ideia do que esse rombo representa, basta um exercício simples: recuperar toda a malha rodoviária federal – são cerca de 50 mil quilômetros de estradas – exigiria um investimento de R$ 11,5 bilhões por ano. “O mercado sabia do problema, é visível, todos conhecem”, diz Raphael Rodrigues, presidenteexecutivo da Ampef. “Mas não tínhamos os dados que mostrassem a gravidade da situação. Por isso fomos buscá-los.” A carta-frete é proibida por lei. Mesmo assim, persiste há décadas como o principal mecanismo de pagamento em fretes de média e longa distância. O mecanismo funciona assim: o embarcador / transportador, o dono da carga, emite para o caminhoneiro autônomo um vale, sem valor jurídico real, vinculado a postos de combustíveis previamente escolhidos por ele mesmo. “O caminhoneiro é obrigado a trocar isso nos postos estipulados pelo próprio embarcador”, diz Rodrigues. “Quando chega na bomba, paga um ágio sobre o valor da carta, geralmente em torno de 10%.” Segundo dados do Balanço Energético Nacional citados no estudo, o transporte de cargas consome 34,6 bilhões de litros de diesel por ano. Uma parcela expressiva desse volume vai obrigatoriamente para redes específicas, com preço majorado, distorcendo também a concorrência entre os postos.
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fonte: neofeed.com.br